Aprendendo, DE FATO, uma Língua Estrangeira

O fato é que é difícil hoje encontrar alguém que não tenha estudado pelo menos um pouquinho de uma língua estrangeira. Dos últimos 20 anos pra cá, até mesmo estudantes de escolas públicas possuem acesso à aulas de inglês, francês, espanhol, e em alguns casos mais raros, japonês, alemão e italiano. Complicado na verdade é encontrar quem aprendeu de fato alguma língua estrangeira em nível avançado.

A grande maioria dos cursos de línguas hoje não estão preparados para ensinar, ou possuem metodologias muito ultrapassadas para ensino. Isso gera desmotivação de quem pretende falar uma segunda língua no futuro. Cursos duas vezes por semana são regularmente oferecidos por diversas instituições, e sempre a ordem de aprendizagem é: ler > escrever > falar > ouvir. Estes são chamados de cursos tradicionais, e são estes os grandes vilões da língua estrangeira hoje.

De toda forma, não podemos culpar somente as instituições de ensino e seus métodos, mas também os próprios alunos.

“Espera aí! O erro está nas instituições, nos métodos e nos alunos? Então o erro é de todo mundo?”

Poderia dizer que sim. O grande problema de quem está por aprender uma nova língua é o sentimento de estagnação ou mesmo procrastinação. Se você já passou por um curso tradicional de línguas, com certeza vai concordar com o que tenho a dizer à seguir.

Há geralmente 3 níveis de aprendizado: básico, intermediário e avançado. Depois que você passa pelo básico, se sente contente, feliz por já estar bem ambientado na língua e consegue se comunicar em situações de forma razoável. Quando chega no intermediário, começa a ver a encrenca na qual se meteu. Na grande maioria dos métodos, os níveis intermediários são os níveis preenchidos de gramática, gramática e gramática. Não há tanto vocabulário nesta etapa, e em alguns momentos pensamos que não somos capazes de aprender, nos desmotivamos, e finalmente desistimos. Isso vem de encontro com o que eu disse no início, onde é difícil encontrar quem de fato tenha conhecimento aprofundado em uma segunda língua.

Digo tudo isto por experiência própria, e gostaria de compartilhar alguns fatos nos quais presenciei, e acabei melhorando meu aprendizado, mesmo na tentativa e erro.

Antes de começar, sugiro a leitura do post “5 Dicas para Intensificar Conhecimentos“, pois grande parte do que irei dizer possui base neste artigo.

Falta de foco

Por que cursos tradicionais de 2 vezes semanais não funcionam? Simples: Falta de foco.

Não é porque simplesmente utilizam a ordem incorreta de aprendizado (ler > escrever > falar > ouvir), mas devido também ao baixo envolvimento e imersão do aluno à língua durante um grande período de tempo. É necessário inserir-se profundamente em contato com algo, para que o aprendizado seja eficiente e de qualidade.

Por exemplo, há pessoas que preferem fazer uma viagem para o exterior para fazer um curso de línguas. Os cursos de língua lá fora, na grande maioria dos países, possuem uma carga horária semanal mínima de 20 horas. Este é chamado de curso regular, quando curso regular aqui significa a mesma coisa que cursos tradicionais (2 ou 3 vezes semanais), totalizando máximas 6 horas de aula por semana.

Qual a grande diferença aqui? Novamente: FOCO. Há cursos intensivos ainda de 40 horas semanais, ou seja, aula em período integral. E a pergunta que não quer calar: “Estes cursos de 20 e 40 horas semanais funcionam?” Sem qualquer dúvida! Já cursos intensivos no Brasil, você estuda no máximo 10 horas semanais, quero dizer, metade do que é considerado regular lá fora.

Pequenas comparações e números

Imagine que a média de valor de um curso regular de língua estrangeira no Brasil seja de R$ 200,00 por mês. Valor praticado na grande maioria dos estados. Agora imaginemos que a grande maioria dos cursos regulares durem 5 anos, ou 50 meses letivos (sem férias), que também é o padrão geral em boa parte do território brasileiro. Agora pegue cada aula de 1 hora e meia, duas vezes por semana, e multiplique pela quantidade de aulas em 50 meses. Temos um somatório de 400 horas de curso finais. Por fim, multiplique os 50 meses por R$ 200,00, e temos a somatória de uma pequena bagatela de R$ 10.000,00 (DEZ MIL REAIS).

E sabe o que é pior? No último mês de curso (50º mês de aula), você não irá se sentir confortável o suficiente para utilizar de fato sua segunda língua adquirida neste período.

Agora se pegarmos os mesmos R$ 10.000,00 e considerarmos realizar um curso em um país estrangeiro, nos espantamos com as possibilidades e resultados.

Para não ser injusto, vamos também aos números:

  • Passagem ida e volta: R$ 1.600,00
  • Curso de dois meses, 40 horas semanais de aula (320 horas totais): R$ 5.500,00
  • Acomodação em casa de família com pensão completa (café da manhã, almoço e janta): R$ 1.600,00
  • Gastos diversos (lanches, souvenirs, transporte, etc): R$ 1.000,00

Total: R$ 9.700,00

Com os R$ 300,00 que sobram, você pode utilizar para tirar passaporte e visto. Interessante não? Mesmo tendo 80 horas a menos de aulas, você retorna em um nível muito aprofundado na língua podendo lidar com situações muito mais desafiadoras ao utilizá-la.

Claro que não é da noite para o dia que juntamos R$ 10.000,00, mas garanto que é muito mais fácil e rápido juntar essa quantia, em um período muito menor que 5 anos. Mesmo que você junte os mesmos R$ 200,00 por mês em uma poupança. Há ainda uma segunda vantagem relacionada ao tempo. Você pode aproveitar o tempo que supostamente teria aulas para aprender outra coisa que você pode aprender no Brasil, ou até mesmo utilizar para uma outra tarefa.

Ganhos

No exemplo que sugeri acima, você aprende uma nova língua em basicamente 2 meses; cria amigos no estrangeiro; aprende uma nova cultura; se for a trabalho, adquire uma experiência no exterior; visita pontos turísticos, tudo isso em uma viagem de “férias” de 2 meses.

Enfim, para não me prolongar muito, veja que há outras opções mais adequadas para aprendermos uma língua estrangeira do que as que temos no Brasil hoje.

Os ganhos são muito maiores em muitos sentidos, e tudo que você precisa é foco, tanto para aprender, quanto para economizar um determinado valor para pagar um curso no exterior.

Você tem alguma sugestão bacana para aprender uma língua estrangeira de forma fácil, rápida e eficaz?

Então compartilhe comentando!

Filipe Moreira é fundador e redator do projeto Cast My Best! Consultor em Qualidade de Software, utiliza seu tempo livre escrevendo sobre algumas de suas paixões: Desenvolvimento Pessoal, Qualidade e Estilo de Vida, Negócios Online e Blogs. É, sobretudo, persistente e sonhador.
Filipe Moreira 

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6 Responses to “Aprendendo, DE FATO, uma Língua Estrangeira”

  1. novembro 19, 2011 at 5:51 PM #

    Olá Filipe,

    Você detectou com grande exatidão os principais problemas do aprendizado de línguas no Brasil. Lá fora, em muitos países, o ensino de uma segunda língua é levado a sério e oferecido em colégios públicos com muita qualidade. No Brasil, ainda é um luxo, e quem quer aprender precisa entrar em cursos particulares, o que nem sempre funciona, como bem demonstrou.

    Grande abraço.

    • novembro 19, 2011 at 6:04 PM #

      Olá Almir!

      Este é um terceiro fator de grande problema em nossa realidade. Tudo no Brasil custa muito mais do que realmente vale de fato. Até mesmo educação custa pelo menos 5x mais do que a educação dada no exterior.

      Não preciso nem mesmo me referir à países de primeiro mundo, mas é simples notar esta mesma realidade de custo bem menor até mesmo em países como a Argentina, por exemplo.

      É possível aprender, mas os esforços são grandes, por isso, temos que buscar alternativas mais eficazes. Não é mesmo?

      Abraços!

  2. novembro 29, 2011 at 5:40 PM #

    Excelente post! Essa coisa de aprender inglês num país de língua portuguesa é ridículo. Vc aprende, no máximo, algumas frases e gramática. É triste saber que tem muita gente carente que entra num curso de inglês, gasta todo esse dinheiro, achando que é a melhor coisa que está fazendo.

    • dezembro 1, 2011 at 10:44 AM #

      Olá Hermann!

      Realmente, temos um grande problema no ensino de línguas estrangeiras no Brasil. Custa muito, rende pouco, e muita gente é de fato enganada.

      A verdade é que, todos aqueles que podem pagar por estes cursos, podem realizar uma viagem, e aprender muito mais lá fora, gastando o mesmo.

      Obrigado pela visita!

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  1. 8 Passos para o Sucesso | Cast My Best! - janeiro 18, 2012

    [...] Se você quer aprender uma língua estrangeira, dê seu máximo. [...]

  2. Falta de Tempo e Dinheiro é um problema que VOCÊ decide ter | Cast My Best! - janeiro 27, 2012

    [...] mim, a prioridade era aprender línguas estrangeiras e ponto. Se isto gera falta de tempo e dinheiro, não importa, devemos saber qual é a prioridade [...]

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